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Você conhece seu vizinho?

Você conhece seu vizinho?

Reportagem Daiane Rosa
Assessoria de Imprensa Detran/PR | Curitiba/PR, 15.09.2009

Eles estão sempre muito próximos de você, moram ao lado, em cima e até embaixo da sua casa, mas isso não garante que você os conheça. Em alguns casos sabemos apenas o nome do indivíduo, em outras nem isso. Alguns atribuem esse comportamento à falta de tempo, outros se quer fazem questão de conhecer este estranho que é o vizinho.

Para o especialista em psicologia clínica comportamental Márcio Roberto Regis a falta de vontade em se aproximar do vizinho decorre do fato das pessoas terem preconceito e criarem rótulos sobre pessoas que eles se quer conhecem. “Esse é um comportamento no qual se foge dos relacionamentos com pessoas estranhas, por medo de se decepcionar”, esclarece.

No entanto, não é a falta de aproximação que vai afastar os problemas da convivência social. Quando se mora em uma casa as chances de conseguir manter uma relação harmoniosa aumentam porque os espaços são mais delimitados. O seu espaço possui limites concretos como os muros e portões que lhe separam dos outros moradores. É claro que existem problemas, porém eles se limitam a questões que envolvem a rua como o lixo e barulhos que possam incomodar.

Mas se este não é o seu caso e você mora em um apartamento é provável que os conflitos sejam maiores. Pois os problemas citados acima se intensificam por causa da proximidade das moradias. E ainda surgem os conflitos referentes aos direitos e responsabilidades coletivas como a divisão das vagas da garagem ou a manutenção do prédio.

Além desses problemas de convivência há ainda as diferenças culturais que dizem respeito aos valores morais e éticos. Afinal, cada morador acredita que tem o direito de criar e viver de acordo com sua própria ética. Querem transformar a ética comum em particular e beneficiar apenas seus interesses.

Para tentar solucionar estes conflitos o melhor meio ainda é a conversa e o respeito ao próximo. “Procurar colocar-se no lugar do outro e compreender o transtorno que está se causando na vida do vizinho é o primeiro passo”, orienta o psicólogo. No final o importante é reconhecer o erro e encontrar uma solução que seja boa para os dois lados.

No entanto, quando o diálogo não é suficiente para resolver o impasse, cabe ao morador procurar seus direitos judicialmente. Quando se mora em condomínio a orientação é de que se registre a reclamação por escrito e aguarde as providências do síndico e só então, se os problemas persistirem, apelar para o auxílio da justiça.

Alguns cuidados simples podem evitar que você não se torne o vizinho chato. “O vizinho chato não sabe que ele é o próprio chato e inconveniente, o chato não se reconhece. Para não se tornar o chato, o ideal é seguir as regras do condomínio e ter a mínima noção de etiqueta”, alerta o especialista. Abaixo seguem algumas dicas:

Barulho: Evite fazer barulho após as 22h. Em caso de eventos especiais negocie com os vizinhos.

Reformas: Faça um bom planejamento para evitar transtornos a vizinhança.


Vazamentos: Se houver problema de vazamento, procure solucionar o mais breve possível para evitar problemas para os vizinhos.

Fofocas: Fuja delas! Só se intrometa na vida do seu vizinho se ele o convidar. Do contrário, não se meta aonde não foi chamado.

Respeito: Respeite os espaços comuns e ajude a preservá-los limpos e conservados.

Educação: Cumprimente as pessoas que moram próximas a você e tente ser minimamente educado.

Tenha em mente que “a sua liberdade termina onde começa a liberdade do outro” para preservar a política de boa vizinhança. Isso porque o convívio em sociedade só se torna plenamente satisfatório quando o respeito mútuo predomina sobre as decisões pessoais e sociais. “Cordialidade e gentileza nunca são demais e fazem você se sentir melhor. Pequenas ações como segurar a porta do elevador para o vizinho ou dizer bom dia são atitudes que diferenciam uma relação agradável de uma fria”, afirma.

Para tanto é importante estabelecer limites. A distância que você terá com o vizinho deve ser suficiente para não lhe incomodar e não trazer transtornos para a família. Adotar uma postura deste tipo evita que você se encontre em situações desagradáveis quando este vier a frequentar a sua casa. “Para que o vizinho não invada a sua privacidade deixe claro, por exemplo, que ele deve telefonar para saber se você está disponível para receber visitas naquele momento”, sugere o psicólogo.

As relações entre vizinhos podem se tornar mais fáceis se as pessoas aprenderem desde cedo a lidar com conflitos que envolvem a convivência social. “Os pais devem incentivar os filhos pequenos a interagirem com adultos e crianças da vizinhança para que elas saibam se relacionar com a sociedade quando chegarem na fase adulta”, aconselha.

Quando cada um faz a sua parte e respeita a si mesmo e o próximo, todos saem ganhando. Passar longe das intrigas e não economizar em gentilezas são atitudes que tornam o convívio mais harmonioso. “A premiação para aqueles que conseguem manter uma boa relação com os vizinhos pode vir de laços de amizades que duram para a vida toda”, finaliza.

Autora: jornalista Daiane Rosa | Assessoria de Imprensa Detran/PR

Fontes e Publicações na Gazeta do Povo, Revista Veja, Portal IG e Site Bolsa de Mulher.

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