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Viciados em celular

Viciados em celular

Você sente dor nas mãos e nas juntas dos dedos? Comprou o celular há pouco tempo e as teclas já estão gastas? Cuidado, você pode sofrer de tecnose!

Reportagem Larissa Drumond i
Portal IG JOVEM | SP/SP, 05.06.2009
Na década passada, celular era um objeto de consumo adquirido por poucos. Não tinha muitas funções, era uma geringonça enorme e não era lá muito atrativo para os adolescentes, a não ser por ter se tornado uma novidade no Brasil; hoje, um aparelho minúsculo já tem a capacidade de desenvolver múltiplas funções e o simples mp3 se transformou em mp9.

Segundo a Nielsen Co., conglomerado de mídia germano-americano, os adolescentes americanos enviaram, no quarto trimestre de 2008, uma média de 80 mensagens de texto por dia, superando o dobro da média do ano anterior. A internet e o celular permitem que todos possam interagir com diversas pessoas em qualquer canto do mundo, fazer amizades virtuais e reais, trocar informações e se entreter. Por outro lado, “muitos adolescentes desenvolvem comportamentos de isolamento social, depressão, timidez e se atrapalham nos estudos e nos relacionamentos com os demais”, explica Márcio Roberto Régis, especialista em Psicologia Clínica Comportamental e editor-chefe do Portal Atlaspsico, que trata da psicologia na era digital.

Jennyfer Viana, 15 anos, ganhou seu primeiro celular pré-pago com 12 anos e confessa que, desde aquela época, já trocou de modelo seis vezes. “Eles quebram de tanto eu usar. Às vezes, quando não posso sair com meu namorado, ficamos quase duas horas conversando e nem vejo o tempo passar”. Na hora de acordar no dia seguinte para trabalhar como secretária num escritório e ir ao no colégio à tarde, o sono não chega de repente. “Eu acordo sempre feliz, porque falei com ele na noite anterior”.

Ela fica contente mesmo com os olhos abertos até as três da madrugada, mas o diretor e os professores da escola não ficam nada satisfeitos. “Mesmo sabendo que é proibido, eu sempre atendo o telefone quando me ligam, principalmente quando não tem nada de interessante para fazer na sala de aula”. Jennyfer acredita ser errada a proibição dos celulares dentro da classe e já teve sua maior paixão apreendida. “Na hora da prova, o celular estava me dando uma boa ajuda. Era prova de matemática e estava fazendo cálculos com ele”, diz sem constrangimento.

O especialista afirma que existe uma grande reclamação dos professores em relação aos alunos que ouvem música com fone de ouvido, jogam ou trocam arquivos e mensagens durante a aula. “A atenção dos adolescentes está sempre voltada aos torpedos, arquivos, jogos e não ao conteúdo passado pelo educador. É necessário que pais e professores criem regras bem claras de quando e como utilizar o seu aparelho móvel nas instituições de ensino, evitando que os alunos se dispersem”.

O grupo teen é mais apegado às novidades tecnológicas porque sentem necessidade de acompanhar todas essas mudanças e evitam ficar para trás dos amigos. O celular comprado há seis meses já não serve mais e vira antiguidade. É por isso que, encantada com novos designs e funções modernas, Monique Ellen, 16 anos, já trocou de celular quatro vezes desde que ganhou o primeiro, aos dez.  

Ela diz não ser viciada em celulares; mas, minutos depois, se contradiz ao declarar que assim como costumava navegar na internet até tarde da madrugada, agora faz o mesmo com seu mp7. “Eu não vivo pendurada no celular, mas não consigo viver sem um, apenas para, pelos menos, poder dizer que tenho”. Às cinco da manhã, invariavelmente Monique se levanta, mesmo se passou a noite dançando com suas primas até a bateria de seu mobile acabar. “Fico até o dia amanhecer me divertindo com elas, mas quando estou sozinha fico ouvindo música, assistindo aos vídeos, mexendo nas fotos ou mandando SMS”, divide.

“O celular e a internet são ferramentas indispensáveis no século em que vivemos frente a uma cultura digital sólida. O virtual funciona como uma extensão do mundo real, por isso estudantes podem manter contato físico; mas, quando chegam em casa, continuam se comunicando virtualmente”, garante Márcio Roberto. Por outro lado, Jennyfer diz que jamais deixou de fazer compras no shopping para usar o celular, mas dispensa reuniões familiares na casa da avó e festas para escutar pop, reggae e forró em seu iPhone.

O telefone móvel perfeito para Monique, que gasta cerca de R$ 70 com a conta, deve ter uma câmera excelente, um ótimo media player e uma memória grande o suficiente para poder armazenar todos os arquivos que puder. Elas não chegaram ao nível patológico – que acontece quanto a utilização da tecnologia é abusiva, denominada tecnose –, mas garantem que jamais deixarão de lado esse interesse.

Segundo o profissional, muitos adolescentes apresentam teclas do celular gastas, calos nas pontas dos dedos, dores na palma da mão e nas juntas dos dedos, além de grande aumento na conta do celular; alguns levam consigo carregador ou bateria extra para o aparelho não desligar. “O adolescente deve dosar a vida real e a virtual de forma harmônica, manter um horário regrado para realizar atividades com a família e com amigos presenciais, ao lazer e aos estudos e, claro, reservar um tempo certo para acessar a internet”, finaliza.

Fonte: http://jovem.ig.com.br/oscuecas/o_que_rola/2009/06/05/viciados+em+celular+6566924.html
Entrevista publicada originalmente no dia 05 junho 2009.

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