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Venda de smartphones deve crescer 600% até 2014

Venda de smartphones deve crescer 600% até 2014

Reportagem Tatiana Sabadini
Correio Braziliense – Brazília/DF,
Publicação: 18/11/2009 11:54 Atualização: 18/11/2009 12:03

No futuro, é possível que a última coisa que você vá fazer com o celular é falar com outra pessoa. Os aparelhos com acesso fácil à internet e dezenas de aplicativos deixaram de ser exclusividade dos altos executivos e se popularizaram. Não é mais uma questão profissional, mas também de diversão. Os preços estão mais acessíveis, e a necessidade de estar conectado na rede aumentou. Basta agora saber qual é o limite e usar a tecnologia a seu favor.

É exatamente isso que Marcos Roberto Martins de Oliveira, 25 anos, tenta fazer. Ele começa o dia com o smartphone do lado. Quando vai para o trabalho, conecta o aparelho ao som do carro para escutar música. Durante o dia, se divide entre o notebook e o celular. O último sempre tem a preferência do empresário. É lá que ele faz transações bancárias, checa as últimas notícias, manda mensagem para os amigos e clientes e atualiza o Twitter da empresa. “Tenho smartphone há três meses, e facilitou muito o meu dia a dia. Viajo bastante e preciso da internet. Além disso, os aplicativos que ele oferece são bem inovadores”, explica.

Até para fazer as ligações, Marcos se conecta à internet — para usar o Skype e pagar menos nos telefonemas. Quando corre no Parque da Cidade, ele usa um programa que a partir do GPS calcula a distância percorrida, as calorias gastas e o rendimento do exercício. “Outra grande vantagem é que, com o celular, eu consigo acessar o computador que está ligado na minha casa; se eu precisar de algum arquivo, basta um clique”, conta. A próxima aquisição do empresário será uma câmera de segurança, que será instalada na residência e também poderá ser acessada pelo aparelho.

Explosão
A vantagem de ter vários serviços em um único produto fez com que o mercado do smartphone crescesse. Uma pesquisa feita na América Latina revelou que os telefones com acesso à internet devem ter um aumento de 600% nas vendas até 2014. “São várias soluções que cabem no bolso. Você tem diversas opções para ajudar várias atividades do seu dia a dia, e por isso faz sucesso”, afirma Fernando Soares, gerente de portifólio da Nokia.

O smartphone, no entanto, também pode ter desvantagens. De acordo com Márcio Roberto Regis, psicólogo especialista em clínica comportamental e criador do portal de psicologia Atlaspsico (www.atlaspsico.com.br), todo exagero tecnológico deve ser dispensado. Estar conectado durante muito tempo na internet e no celular pode causar uma espécie de dependência. “Quando um simples aparelho traz problemas para a vida pessoal da pessoa, quando ela começa a dar muita importância ao celular ou quando as relações afetivas são intermediadas exclusivamente pelo telefone móvel, é hora de parar”, comenta.

“Estou satisfeito com o smartphone. Em algumas horas de lazer tento não usar, porque cansa um pouco. Mas ele economiza meu tempo e me ajuda muito no trabalho”, sustenta Marcos Roberto. Para o psicólogo, se o celular não se tornar uma obsessão, ele pode trazer muitos benefícios. “Quando eles são simplesmente computadores de mão, podem facilitar a vida e possibilitar a resolução de problemas e decisões em questões de minutos”, diz Márcio.

Integração avança
Um das pioneiras no mercado de smartphones, a BlackBerry não pretendia, de início, fazer um celular completo. Sonhava apenas criar um aparelho portátil para acessar o e-mail. Hoje, a empresa tenta aliar todo o tipo de serviço em um lugar só. Para Adriano Lino, gerente de inteligência de mercado da Research In Motion (RIM), fabricante dos celulares da empresa americana, o mundo pede instantaneidade. “A constante troca de mensagem e as redes sociais encadearam essa evolução dos celulares. E você vê cada vez mais a integração de todas essas ferramentas. Temos aparelhos, por exemplo, que identificam as pessoas que te ligam com a foto do Facebook, e seus amigos passam a integrar sua lista de contatos”, diz.

Segundo o especialista da Nokia, o smartphone vai se consolidar nos próximos anos como um aparelho que suporta vários serviços, cada vez mais fáceis de usar. “Mexer em um celular passa a ser quase intuitivo. É tão acessível que você vai se habituando a solucionar qualquer questão. Fizemos uma pesquisa com pessoas quem tem um smarthphone e descobrimos que 80% do tempo eles usam os aplicativos e apenas 12% é usado para falar. Essa tendência é forte”, explica.

Esse tipo de celular tem a característica de ser mais personalizado. O usuário pode escolher mais aplicativos de internet ou de entretenimento, jogos, programas de música ou até de práticas esportivas, como é o caso de Marcos Roberto. As próximas novidades do smartphone devem continuar com a proposta de interatividade. Assim como aconteceu com a câmera fotográfica do celular, os vídeos devem ficar mais acessíveis e com melhor qualidade. As opções de jogos também devem crescer nos próximos anos. “Quando eu penso no smartphone, penso que qualquer coisa que tem dentro de um computador uma hora ou outra vai chegar lá”, afirma Lino.

Autora: Tatiana Sabadini

Fonte:
Entrevista publicada originalmente no Jornal Correio Braziliense
Publicação: 18/11/2009 11:54 Atualização: 18/11/2009 12:03
http://www.correiobraziliense.com.br/

 

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