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Twitter é a nova moda da internet

Twitter é a nova moda da internet

Site de relacionamentos requer responder a uma simples pergunta:
“O que você está fazendo?”

Reportagem Ariane Bellan
Edição Rodrigo Batista
Jornal Comunicação UFPR | Curitiba/PR, 12.05.2009
Você gostaria de saber o que pessoas próximas ou distantes estão fazendo neste exato momento? Pois o site de relacionamentos Twitter foi criado justamente para isso. Fundado em março de 2006 nos Estados Unidos, o Twitter é uma espécie de microblogging, onde os usuários comentam em tempo real o que está acontecendo em suas vidas. Dados do instituto de pesquisa comScore mostram que o serviço já ultrapassou a casa dos 10 milhões de usuários no mundo. Só no Brasil, mais de 600 mil pessoas aderiram ao Twitter até março deste ano, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online.
Você pode estar ouvindo música, estudando, ou simplesmente tomando um café. Por mais corriqueira ou banal que seja a atividade do usuário, o objetivo do Twitter é que se responda, em até 140 caracteres, a seguinte pergunta: ‘o que você está fazendo?’ – em inglês, ‘what are you doing?’. “Primeiro, você deve escolher quem você vai seguir e assim iniciar sua rede. Alguns seguem somente quem conhecem pessoalmente, outros seguem quem não ‘twitta’ – comenta – muito, outros escolhem por conteúdo relevante e tem aqueles, como eu, que seguem todos”, explica a gerente de administração Tine Araujo.
A ‘twitteira’ – nome dado ao usuário do Twitter – de 33 anos usa o programa desde março de 2008, simplesmente para trocar ideias sobre assuntos que tem interesse. “Como a rede é ampla, é mais fácil conseguir respostas a perguntas de opinião, por exemplo”. Já a professora de inglês Rosângela Pereira usa o microblogging há um ano e meio como um diário virtual. “Falo sobre meu dia, marco encontros, faço programações, conto algo engraçado e peço ajuda quando preciso. Enfim, o Twitter serve para dizermos algo que ninguém perguntou”, resume.
O psicólogo Márcio Roberto Regis, especialista em clínica comportamental, acredita que o que mais desperta interesse nesses usuários é a obtenção de uma determinada fama, além de conquistar diversos seguidores. “Essa questão mexe diretamente com o ego dos internautas: ‘quanto mais seguidores eu tiver, mais respeitado e popular serei’”. Regis acrescenta que existe um desejo dos ‘twitteiros’ de estar por dentro de tudo que acontece com todos, sem perder absolutamente nada.
É o caso do estudante Cássio Barbosa, 20 anos, que usa o site desde setembro de 2007 para acompanhar todos os passos de seus amigos sem a necessidade de um contato frequente por meio de e-mails, telefonemas e encontros. “Como muitas pessoas moram longe ou possuem horários incompatíveis aos meus, o Twitter facilita a comunicação com elas. Assim eu não perco as novidades”. Cássio comenta que também gosta de seguir o perfil de pessoas que expõe seus trabalhos. “O humorista Rafinha Bastos, por exemplo, além de publicar datas e locais de suas próximas apresentações, posta alguns de seus quadros”.

Superexposição
Mas o Twitter não é um serviço restrito à internet. Os usuários estão integrados também pela rede de telefonia de celular (SMS). Seja no ônibus ou na fila do banco, na faculdade ou no trabalho, não existe hora nem local para ‘twittar’. Essas ações podem, no entanto, trazer resultados negativos, segundo Regis. “A superexposição dos internautas às pessoas que nem conhecem e a perda da noção do tempo trocando mensagens são alguns deles”, alerta o psicólogo.

Esse não é o caso da publicitária Ivana Duarte, de 28 anos. “No Twitter, como qualquer outro site de relacionamento, você expõe sua vida até o ponto que você quer. Eu aprendi na prática a não postar tudo o que penso”, afirma. Ivana acha que as pessoas aprenderam a utilizar as redes sociais com mais cautela, sem divulgar dados pessoais e compromissos abertamente. “Alguns sites também reformularam seu funcionamento permitindo que o internauta escolha quem possa, ou não, ver suas fotos, recados”. A ‘twitteira’ ressalta que as pessoas não devem abandonar as longas conversas entre amigos e as risadas ao redor de uma mesa. “Cabe lembrar que a internet é uma ferramenta sujeita ao homem, e não o contrário”.

Rede Social UFPR
Mas muitos dos ‘twitteiros’ usam o espaço para trabalhar. À medida que a rede foi crescendo, muitas empresas perceberam seu potencial mercadológico e passaram a utilizá-lo para divulgar seus projetos e notícias. A UFPR é um exemplo de instituição que utiliza o site. “A ideia de usar o Twitter na UFPR surgiu há alguns meses, quando percebemos a sua utilidade como canal de divulgação”, explica Heraldo Madeira, do departamento de informática da UFPR. Hoje, vários veículos tradicionais de comunicação, como os canais de TV e jornais, também aderiram ao Twitter.

Heraldo esclarece que a UFPR ingressou no site de forma experimental, para ser um canal de divulgação à disposição da Assessoria de Comunicação Social da Universidade, complementar ao site e às formas tradicionais de publicação. “Ainda não é possível medir os resultados, pois não entrou em fase de produção sistemática das informações. Creio que não houve ainda uma definição de como ele estará inserido na política de marketing institucional”, acrescenta Heraldo.

Fonte: www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/6174
twitter.com/jcomunicacao
Entrevista publicada originalmente no dia 12 maio 2009.

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