Seção

Terapia a distância ganha regras

Terapia a distância ganha regras

Jornal Folha de São Paulo – SP/SP, 2005-23-09
Preocupado com o crescimento do número de psicólogos que oferecem serviços terapêuticos pela internet, e embasado nos poucos estudos já feitos sobre o tema, o Conselho Federal de Psicologia elaborou uma resolução que servirá como um filtro para pacientes e profissionais. A partir deste mês, fica proibido o atendimento psicoterapêutico pelo computador. Todos os outros serviços tornam-se permitidos, como orientação psicológica e afetivo sexual, orientação profissional, de aprendizagem, reabilitação, consultorias e processos de seleção empresariais.
A diferença está no foco da consulta, no tempo de duração e no perfil do paciente. Pela resolução, entende-se que apenas os serviços que abordem algum problema específico, com tempo determinado e público-alvo podem ser oferecidos pela internet. Por exemplo, consultas sobre problemas no relacionamento, dificuldades para escolher a profissão, crise no trabalho ou sintomas depressivos. Tudo isso com prazo para acabar, seja pela quantidade de e-mails ou pelo tempo transcorrido, como dois ou seis meses.
Já a tradicional psicoterapia, que engloba toda a carga emocional da pessoa, com seus múltiplos conflitos , e que pode se estender por anos, fica proibida, não sendo reconhecida sua prática pela rede. A exceção fica por conta dos atendimentos em projetos de pesquisa, classificados como experimentais.
“A internet como instrumento psicológico começou quando os psicólogos passaram a entrar em sites como moderadores de fóruns e listas de discussão e ofereceram o serviço de maneira informal. O conselho percebeu que muitos estavam fazendo isso sem fundamento”, explica o psicólogo Oliver Zancul Prado, conselheiro do Conselho Federal de Psicologia e autor de uma tese sobre o tema. “A idéia é regulamentar essa prática, que pode ser útil como recurso para alguns casos”, diz.
Para isso, os profissionais precisam se cadastrar no site do conselho e receber uma identificação eletrônica. “Comecei a oferecer atendimento online no início deste ano, para atender uma demanda de brasileiros que encontram dificuldades para ter acesso ao serviço de psicologia no exterior, como os brasileiros que trabalham no Japão”, conta o psicólogo Márcio Roberto Regis, um dos sete psicólogos que já têm o selo. “A internet serve apenas para orientar, dar auxílio numa determinada queixa específica do cliente”, diz.
HONORÁRIOS

Os serviços podem ser cobrados, e os preços e a forma de pagamento são escolhidos por cada psicólogo. Os mais usados são cartão de crédito e depósito bancário. A consulta pode ser feita por e-mail, por sites que armazenam as mensagens ou por programas de conversas instantâneas, como o MSN ou o ICQ.

No Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a primeira clínica universitária a oferecer o atendimento e já com o registro no conselho, o contato, gratuito, é por e-mail. “Foi uma demanda espontânea.

Começamos a receber e-mails com pedidos de ajuda. Nos espantamos com o jeito como as pessoas se expunham nas mensagens e resolvemos ajudar”, conta a psicóloga Rosa Maria Farah, responsável pelo núcleo, que apenas no ano passado atendeu 401 casos. “São potencialidades novas, espaços abertos pela tecnologia que exigem preparo e uma metodologia própria, ainda em desenvolvimento.”

Fonte: O Estado de São Paulo – 23/09/2005

Salvar

Top