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Jogos perigosos e proibidos

Jogos perigosos e proibidos

Raquel Ferreira  / Da Redação

A influência dos jogos eletrônicos no comportamento das crianças e adolescentes mais uma vez entra em pauta com a proibição do comércio e distribuição dos games Counter-Strike (CS) e Everquest. A decisão foi do juiz federal Carlos Alberto Simões de Tomaz, da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais e é válida em todo o território nacional. No entendimento do magistrado os jogos foram considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde e ferem o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

Os aparelhos eletrônicos de modo geral – TV, videogame e computador – constantemente são colocados como vilões e incentivadores da violência. Não os aparelhos em si, mas o que eles oferecem e transmitem como filmes, sites e jogos. A discussão sobre o assunto não é de hoje e sempre divergiu as opiniões.

Para a psicóloga Simone Barros Ceregatti os jogos eletrônicos têm mais poder que a televisão de influenciar um comportamento violento na criança e no adolescente. A especialista explica que na TV o telespectador apenas recebendo as informações enquanto que no videogame ele participa das atividades, que podem ser inocentes como uma corrida de carros ou violentas como assassinatos, o que ocorre no Counter Strike. “Não é de hoje que vemos a violência se alastrando, mas ela tem se intensificado nos últimos tempos. Quando na história houve tantos casos de jovens que matam?”, questiona.

Outro ponto explorado por Simone é a falta de contato físico que os videogames propõem aos jovens. No mundo virtual os jogadores não vivem as mesmas sensações que na vida real. A psicóloga destaca que mesmo nas brincadeiras mais violentas, como as de mocinho e bandido ou luta, as crianças entravam em contato uma com as outras e quando alguém se machucava elas tinham noção que aquilo provocava dor e sofrimento no colega.

“Essa interação com a dor gera a compaixão e a noção que podiam se ferir ou machucar alguém. No videogame isso não ocorre. Os jogadores “matam” um monte de pessoas virtuais e fica por isso mesmo. A questão é que esses jogos banalizam a morte”, ressalta.

Outra visão – Com uma opinião diferente, o psicólogo Márcio Roberto Regis garante que ainda não existe um consenso se jogos violentos podem ou não influenciar jogadores mais jovens. Regis cita que a literatura aponta que a exposição, presença de estímulos violentos em games pode aumentar a probabilidade de comportamentos anti-sociais e agressivos. Comportamentos agressivos são aprendidos, adquiridos por observação.

“Particularmente não acredito que jogos sejam determinantes para o surgimento de comportamentos socialmente inadequados. Não podemos ser categóricos, afirmar que games violentos e agressivos geram indivíduos violentos e agressivos”.

O psicólogo acrescenta que existem diversas variáveis na complexa história de vida do indivíduo que podem gerar comportamentos violentos como, por exemplo, a ausência de uma educação familiar, ausência paterna (que representa a lei), uso de drogas, más influências dos amigos, banalização da violência, filmes, games e principalmente o jovem já tem uma pré-disposição de desvio de conduta.

“Se uma pessoa se comporta de forma agressiva não podemos culpar os jogos violentos pelo indivíduo agir dessa forma. o que pode acontecer é o gamer se identificar com jogos da categoria, mas games por si só não são nocivos à saúde mental dos jogadores”, diz Regis.

Mesmo assim ele diz que o excesso pode ser prejudicial. “Tem que ter limites. Tudo que é demais não é saudável. O excesso de videogames, internet pode fazer com que o indivíduo perca suas habilidades comportamentais, podendo apresentar timidez, irritabilidade, falta de concentração, stress na família, com amigos de escola, faculdade, no trabalho, além da tolerância, pois o excesso de vídeo games e internet viciam assim como as dependências químicas”.

Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/13/materia/168903/t/jogos-perigosos-e-proibidos

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