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Elas invadem a internet

El@s invadem a internet

22.04.2008
Uma pesquisa realizada recentemente pelo Ibope/NetRatings, apontou que somente em janeiro deste ano, as mulheres já somavam mais de 10 milhões de internautas só no Brasil, ou seja, 48,9% destes.

Por Paula Junqueira

Foram 19 encontros realizados off line em um ano, ou seja, quase dois deles por mês e nove transas consumadas. “Ariane”, 37 anos, nome fictício da entrevistada que preferiu não se identificar, garantiu que, apesar do perigo, tudo pode rolar num encontro real iniciado pela internet.

Uma pesquisa realizada recentemente pelo Ibope/NetRatings, apontou que somente em janeiro deste ano, as mulheres já somavam mais de 10 milhões de internautas só no Brasil, ou seja, 48,9% destes. Revelou ainda que se comparado ao mesmo período de anos anteriores, o número delas na rede mundial de computadores cresceu 55,2%.

Por se tratar de um meio de fácil acesso, que pode ser realizado em casa ou no próprio trabalho, os sites de relacionamento são apontados como um dos mais procurados pelas mulheres. As salas de bate-papo ficam lotadas, e a disputa pela atenção de um pretendente aumenta. Mas, por que as salas de bate-papo causam tanto frisson?

“Os sites de relacionamento proporcionam para ambos os sexos, explorarem profiles e comunidades por interesses em comum em busca da cara-metade”, afirma o especialista em Psicologia Clínica Comportamental e editor do site Portal Atlaspsico, Márcio Roberto Regis.

Uma infinidade de salas de bate-bapo está à disposição dos internautas, que em um click, decidem com qual faixa etária ‘supostamente’ querem conhecer e conversar. Para o psicólogo, a internet é um meio facilitador para se conhecer novas pessoas e manter um canal de comunicação aberto de maneira barata e simples, já que não há necessidade de sair a barzinhos e gastar mais. “As relações humanas adaptam-se com a chegada dessa e outras tecnologias que existem ou existirão. Quanto mais pessoas aderirem à internet, mais irão se relacionar virtualmente. Atrás da tela do PC permite a pessoa se esconder, permanecer no anonimato, realizar fantasias e fetiches”, explica.

Foi o caso de ‘Ariane’. “Era um domingo de Páscoa quando acessei um site de relacionamento pela primeira vez, e isso aconteceu, porque uma amiga minha foi em casa e disse que havia conhecido vários caras legais pela internet. Como estou há algum tempo sozinha, decidi entrar para ver se encontrava alguém que estivesse afim de uma relação séria. Mas já adianto que a maioria foram só frustrações”, desabafou.

O bate-papo vai super-bem, trocam fotos, descobrem interesses em comum, trocam juras de amor já nas primeiras horas, dias ou semanas e logo resolvem se conhecer. Marcam de sair juntos, e, quando se encontram, vem a famosa frustração. O problema está na busca pelo parceiro perfeito e ideal. Para o especialista, o ser perfeito não existe, e conscientizar-se disso, é o primeiro passo na luta contra a frustração. “Quando entro no bate-bate, estou à procura de homens altos, que gostam de se cuidar, que tenha uma vida independente e que tenha as mãos bonitas. Mas muitas vezes, não é nada disso que acontece quando encontro a pessoa ao vivo. Já me encontrei com um moço manco, um gordo, homem de dedo pequeno. Eles mentem muito. Enfim… ainda não deu certo. E o pior, aqueles das quais eu mais me interesso, descubro depois que são casados”, disse, em meio a um olhar triste, ‘Ariane’.

De acordo com o psicólogo, isso acontece porque o internauta não tecla com a pessoa real e sim com o imaginário. “As pessoas se apaixonam pela fantasia, pelo ideal que constroem do outro e não pelo que é de fato. Apenas no encontro presencial é que a pessoa poderá ter acesso aos desenhos do rosto do outro com maior precisão, ouvir a voz da pessoa, o contato, o cheiro e até mesmo a dinâmica da conversa. Os assuntos serão outros”, lembra ele.

‘Ariane’ garante que até agora não achou a pessoa certa. “De todos os encontros, tentei uns três namoros, mas infelizmente nenhum deu certo. O que mais durou foram três meses, mas não existiu afinidade e terminamos”, contou a internauta.

Mas, cuidado! Além de salientar que a segurança é sempre fundamental, é válido lembrar que salas de bate-papo também podem viciar. “Quem utiliza softwares de mensagens instantâneas com muita freqüência e tem muitos amigos virtuais tem maior probabilidade de se tornar viciado em softwares de bate-papo. Os amigos virtuais servem como co-dependentes, reforçando-os uns aos outros e mantendo-os o comportamento de uso abusivo da internet. Ficar horas online e ter mais amigos virtuais do que na vida offline pode representar um alerta, um sinal amarelo para um possível vício tecnológico, conhecido hoje por tecnoses”, esclarece o especialista. E frases como: “eu não tenho medo, ele não faria nada comigo, conheço ele!” remetem a tiros no escuro. Por isso, é sempre bom avisar alguém de onde e quando vai se encontrar com a pessoa escolhida. “A tecnologia não deve ser apenas a única, e sim mais uma forma de relacionar-se com outras pessoas”, afirma o profissional.

22.04.2008
Uma pesquisa realizada recentemente pelo Ibope/NetRatings, apontou que somente em janeiro deste ano, as mulheres já somavam mais de 10 milhões de internautas só no Brasil, ou seja, 48,9% destes.

Por Paula Junqueira

Foram 19 encontros realizados off line em um ano, ou seja, quase dois deles por mês e nove transas consumadas. “Ariane”, 37 anos, nome fictício da entrevistada que preferiu não se identificar, garantiu que, apesar do perigo, tudo pode rolar num encontro real iniciado pela internet.

As mulheres somam mais de 10 milhões de internautas só no Brasil, ou seja, 48,9% destes.

Uma pesquisa realizada recentemente pelo Ibope/NetRatings, apontou que somente em janeiro deste ano, as mulheres já somavam mais de 10 milhões de internautas só no Brasil, ou seja, 48,9% destes. Revelou ainda que se comparado ao mesmo período de anos anteriores, o número delas na rede mundial de computadores cresceu 55,2%.

Por se tratar de um meio de fácil acesso, que pode ser realizado em casa ou no próprio trabalho, os sites de relacionamento são apontados como um dos mais procurados pelas mulheres. As salas de bate-papo ficam lotadas, e a disputa pela atenção de um pretendente aumenta. Mas, por que as salas de bate-papo causam tanto frisson?

“Os sites de relacionamento proporcionam para ambos os sexos, explorarem profiles e comunidades por interesses em comum em busca da cara-metade”, afirma o especialista em Psicologia Clínica Comportamental e editor do site Portal Atlaspsico, Márcio Roberto Regis.

Uma infinidade de salas de bate-bapo está à disposição dos internautas, que em um click, decidem com qual faixa etária ‘supostamente’ querem conhecer e conversar. Para o psicólogo, a internet é um meio facilitador para se conhecer novas pessoas e manter um canal de comunicação aberto de maneira barata e simples, já que não há necessidade de sair a barzinhos e gastar mais. “As relações humanas adaptam-se com a chegada dessa e outras tecnologias que existem ou existirão. Quanto mais pessoas aderirem à internet, mais irão se relacionar virtualmente. Atrás da tela do PC permite a pessoa se esconder, permanecer no anonimato, realizar fantasias e fetiches”, explica.

“Como estou há algum tempo sozinha,
decidi entrar para ver se encontrava alguém
que estivesse afim de uma relação séria.
Mas já adianto que a maioria foram só frustrações”

Foi o caso de ‘Ariane’. “Era um domingo de Páscoa quando acessei um site de relacionamento pela primeira vez, e isso aconteceu, porque uma amiga minha foi em casa e disse que havia conhecido vários caras legais pela internet. Como estou há algum tempo sozinha, decidi entrar para ver se encontrava alguém que estivesse afim de uma relação séria. Mas já adianto que a maioria foram só frustrações”, desabafou.

O bate-papo vai super-bem, trocam fotos, descobrem interesses em comum, trocam juras de amor já nas primeiras horas, dias ou semanas e logo resolvem se conhecer. Marcam de sair juntos, e, quando se encontram, vem a famosa frustração. O problema está na busca pelo parceiro perfeito e ideal. Para o especialista, o ser perfeito não existe, e conscientizar-se disso, é o primeiro passo na luta contra a frustração. “Quando entro no bate-bate, estou à procura de homens altos, que gostam de se cuidar, que tenha uma vida independente e que tenha as mãos bonitas. Mas muitas vezes, não é nada disso que acontece quando encontro a pessoa ao vivo. Já me encontrei com um moço manco, um gordo, homem de dedo pequeno. Eles mentem muito. Enfim… ainda não deu certo. E o pior, aqueles das quais eu mais me interesso, descubro depois que são casados”, disse, em meio a um olhar triste, ‘Ariane’.

De acordo com o psicólogo, isso acontece porque o internauta não tecla com a pessoa real e sim com o imaginário. “As pessoas se apaixonam pela fantasia, pelo ideal que constroem do outro e não pelo que é de fato. Apenas no encontro presencial é que a pessoa poderá ter acesso aos desenhos do rosto do outro com maior precisão, ouvir a voz da pessoa, o contato, o cheiro e até mesmo a dinâmica da conversa. Os assuntos serão outros”, lembra ele.

‘Ariane’ garante que até agora não achou a pessoa certa. “De todos os encontros, tentei uns três namoros, mas infelizmente nenhum deu certo. O que mais durou foram três meses, mas não existiu afinidade e terminamos”, contou a internauta.

“As pessoas se apaixonam pela fantasia, pelo ideal que constroem do outro e não pelo que é de fato…”

Mas, cuidado! Além de salientar que a segurança é sempre fundamental, é válido lembrar que salas de bate-papo também podem viciar. “Quem utiliza softwares de mensagens instantâneas com muita freqüência e tem muitos amigos virtuais tem maior probabilidade de se tornar viciado em softwares de bate-papo. Os amigos virtuais servem como co-dependentes, reforçando-os uns aos outros e mantendo-os o comportamento de uso abusivo da internet. Ficar horas online e ter mais amigos virtuais do que na vida offline pode representar um alerta, um sinal amarelo para um possível vício tecnológico, conhecido hoje por tecnoses”, esclarece o especialista. E frases como: “eu não tenho medo, ele não faria nada comigo, conheço ele!” remetem a tiros no escuro. Por isso, é sempre bom avisar alguém de onde e quando vai se encontrar com a pessoa escolhida. “A tecnologia não deve ser apenas a única, e sim mais uma forma de relacionar-se com outras pessoas”, afirma o profissional.

 

Amor ao primeiro click

O que era para ser apenas uma curiosidade rendeu um casamento para a professora Márcia, 37 anos. Minutos após entrar numa sala do Rio de Janeiro, idade de 30 a 40 anos, conheceu àquele que iria tornar-se marido. “Ele estava com o nick DBOBEIRA, achei estranho, mas ele puxou papo e perguntou como eu era. Falei que eu era feia, gorda, baixinha com cabelo ruim e a cara cheia de espinhas. Ele falou que tudo bem, pois estávamos longe mesmo, e assim, começamos a conversar informalmente todos os dias num horário combinado.

Após algum tempo de conversa, ele me mandou uma foto, que eu amei! Mas fiquei com medo de enviar uma minha, afinal, eu não o conhecia pessoalmente e ainda não estava separada legalmente.

Quando mandei a minha foto, após 15 dias de conversa, ele não acreditou que eu era eu… E assim fomos conversando todos os dias durante uns três meses, até marcarmos nosso primeiro encontro. Ele veio para Curitiba, viajou a noite inteira e nos conhecemos num motel.

Foi um tiro no escuro, pois podíamos não gostar um do outro, mas pela afinidade que tínhamos, parecia que nos conhecíamos há anos. Depois eu fui para o Rio conhecer onde ele morava e viajamos juntos. Lembro até em uma viagem que fomos para a Argentina, antes de casarmos, que eu bati o carro dele e acabei com a viagem.

Acho que ele realmente me ama. (risos) Namoramos durante cinco anos, até que neste ano, juntamos as escovas. Posso dizer que minha história foi um conto de fadas, amor à primeira vista, ou melhor, ao primeiro click no bate-papo”.

Tecnoses

Ficar na internet o dia todo em sites de bate-papo e deixar suas obrigações em segundo plano podem ser considerados uma doença. São os vícios tecnológicos. Aqui no Brasil, estes começam a pipocar nos consultórios e em divulgação de matérias na mídia alertando sobre o assunto. Os próprios os pais de internautas têm dificuldades de saber se estes estão viciados em jogos eletrônicos, em bate-papo virtual, etc ou se precisam de ajuda.

Ao contrario das dependências químicas, aonde a única saída é a abstinência, nas tecnoses não é tirar o computador da vida da pessoa, e sim ensiná-la a utilizar a internet, o PC de forma adequada. É necessário estabelecer limites, tempo de uso diário para não depender e viciar completamente da internet ou equipamentos tecnológicos.

Não é o computador que faz a pessoa dependente, mas sim o internauta que já apresenta traços obsessivos compulsivos, o famoso TOC. Os jogos online/offline, salas de bate-papo, entre outros softwares interativos são extremamente atrativos e fascinante. Pode viciar com facilidade incrível. Muitos deixam de comer, de tomar banho, deixam de sair com amigos ou familiares para ficar mais tempo conectado à internet.

Fique de olho!

» Respeito mútuo em sites de relacionamento é fundamental.

» Esteja ciente de que alguém prontinho para você não está em nenhum lugar do mundo. As relações amorosas ou flertes virtuais devem ser construídas e lapidadas como na vida real.

» Se um flerte virtual despertou seu interesse e querem marcar encontros no presencial, sempre faça o primeiro contato offline em lugares bem movimentados. Se possível, comente com alguém ou se preferir, vá acompanhada de uma amiga.

» Evite fornecer muitas informações sobre onde mora, local de trabalho, etc. Conheça a pessoa aos poucos.

» Procure responder as mensagens o mais breve possível. Deixar a pessoa esperando sua resposta por minutos pode significar que você não está muito interessada na conversa e, conseqüentemente, a desistência do bate-papo. Se estiver ocupada, atarefada, avise. Seja clara.

» Evite escrever frases longas por mensagem, que fazem a pessoa do outro lado esperar por longo tempo. Quanto menor forem as frases por mensagem, mais dinâmica será a conversa.

» Responda e-mails no prazo máximo de 48 horas. Lembre-se que quando se faz parte da cibercultura o único meio de comunicação é o bom e velho e-mail. Não respondê-los é falta de educação e respeito. Se for um flerte virtual, caso não responda aos e-mails ou demore muito, pode significar pouco interesse na pessoa. Isso serve também para as mensagens instantâneas: Nesse caso é melhor não insistir e partir pra outra ou desligar o computador e ir dar uma volta.

Para mais dicas, acesse www.atlaspsico.com.br.

Entrevista ao Jornal Laboratório da Universidade Tuiuti do Paraná e à disciplina Redação Jornalística IV. 18.04.2008. Curitiba – Paraná.

Outras informações no blog jornallaboratorioonlineutp.blogspot.com

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