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Dossiê da tecnologia: facilidades que custam caro

Dossiê da tecnologia: facilidades que custam caro

Reportagem: Rodrigo Batista | Editor:30/05/2008

O Brasil é o país com maior tempo médio de uso residencial de internet, segundo dados da Nielsen/Netratings uma das maiores empresas de medição de trafego online do mundo. A pesquisa revelou que, em março de 2008, o país atingiu a marca de 23 horas e 51 minutos médios por mês de acesso ao mundo virtual. Isso representa 1 hora e 27 minutos a mais do que fevereiro passado e 3 horas acima do índice do mesmo período de 2007. A França, segunda colocada no ranking, apresentou 21h30min. Além disso, em 2007, o país atingiu a marca de quase 40 milhões de brasileiros com acesso à internet, segundo um levantamento do Ibope. Desse total, em torno de 75% representam usuários que usam a rede mundial de computadores em casa.

O Brasil é o paí­s com maior tempo médio de uso residencial de internet, segundo dados da Nielsen/Netratings uma das maiores empresas de medição de trafego online do mundo. A pesquisa revelou que, em março de 2008, o paí­s atingiu a marca de 23 horas e 51 minutos médios por mês de acesso ao mundo virtual. Isso representa 1 hora e 27 minutos a mais do que fevereiro passado e 3 horas acima do í­ndice do mesmo perí­odo de 2007. A França, segunda colocada no ranking, apresentou 21h30min. Além disso, em 2007, o paí­s atingiu a marca de quase 40 milhões de brasileiros com acesso à internet, segundo um levantamento do Ibope. Desse total, em torno de 75% representam usuários que usam a rede mundial de computadores em casa.
Ao mesmo tempo em que esses valores representam inclusão digital e crescimento econômico para o paí­s, também são motivo de preocupação e alerta. Que o computador ainda mais depois da consolidação da internet de banda larga é peça-chave no modo de trabalho deste século, ninguém nega. Mas médicos alertam para os malefí­cios que o seu uso prolongado pode causar.

Preguiça de se levantar (até para comer)

Passar horas sentado em frente à máquina leva a pessoa a ficar por muito tempo sem se alimentar corretamente, o que pode causar obesidade, segundo informa a nutricionista Mônica de Caldas dos Anjos. Normalmente, durante o processo de digestão, o organismo seleciona os nutrientes mais importantes para absorvê-los. Quando passa muito da hora da refeição, essa seleção não acontece. “Isso, aliado ao fato de que as pessoas ingerem comidas com muitas calorias depois de tanto tempo, gera maior absorção de gordura”, acrescenta.

A obesidade pode causar colesterol alto, aumento da pressão arterial, doenças do coração e diabetes. Mas a obesidade leva a outro problema: a procura por dietas pela internet. A nutricionista critica os diversos planos alimentares que circulam pela rede e que podem chegar a pessoas que sofrem com o excesso de peso. “São dietas restritivas, que cortam do cardápio do usuário alimentos que contém nutrientes importantes, como carboidratos. Podem até levar a pessoa à insuficiência renal”. A especialista aconselha: “Pessoas que precisam ficar por várias horas trabalhando em frente ao computador devem levar alimentos saudáveis e práticos para o local, como biscoitos do tipo água-e-sal e frutas”.
Mas se alimentar em frente ao computador nem sempre é uma boa escolha. Isso porque o teclado e o mouse, em constante contato com as mãos, podem transmitir doenças, afirma a microbiologista Patrí­cia Dalzoto. Afinal, essas peças da máquina não são limpas com a freqüência e o cuidado necessários. A poeira depositada serve como reservatório para bactérias, e os restos de alimentos que caem no local são fonte de alimento para elas. “A transmissão de doenças, desde gripe até infecções intestinais, é comum em escritórios e lan houses, locais em que as máquinas são usadas por diversas pessoas”, lembra Dalzoto. A revista Computing Which? realizou uma pesquisa em sua própria redação e obteve um resultado inesperado: muitos dos teclados tinham mais bactérias do que assentos sanitários.

Cuidados com a postura

Outra seqüela comum aos usuários de computador são dores ósseas, musculares e nas articulações, causadas pela má postura e por movimentos repetitivos. Segundo a fisioterapeuta Isabela Álvares dos Santos, pessoas com idade de 20 a 45 anos, trabalhadores de escritórios de informática, auditoria e contabilidade, geralmente são as que mais desenvolvem doenças. As mais comuns são tendinite, lesão por esforço repetitivo (LER) e cifose. Quando não tratada, esta doença pode evoluir para uma espondilose, o popular bico-de-papagaio, que é uma disfunção nas vértebras.
A fisioterapeuta recomenda que os usuários de computador regulem seus intervalos de pausa no trabalho. Além de fazer uma pausa a cada hora que gastarem em frente à tela, é importante que façam alongamentos para relaxar os ossos e músculos dos braços e das costas.

Ressecamento dos olhos

O olhar fixo no monitor também ocasiona problemas para a visão. É o que aponta a oftalmologista Gisele Kfouri: o olho humano precisa piscar pelo menos a cada 13 segundos e uma pessoa quando usa o computador diminui esse ritmo. A córnea (superfí­cie do órgão de visão) fica sem lubrificação, o que ocasiona vermelhidão e ardência. Em ambientes escuros a situação piora, pois se tem como foco de luz apenas a tela da máquina. “Por isso é recomendável trabalhar em locais claros, para que haja quebrada intensidade da luz do monitor”, afirma Kfouri.

Isolamento social

O computador, ao lado do celular, é uma das tecnologias que causa dependência em alguns usuários, em especial aqueles com carência afetiva. É o que afirma o psicólogo Márcio Roberto Régis, especialista em casos de ví­cios tecnológicos. “Essa dependência nasce em pessoas tí­midas, ansiosas e com dificuldades em se relacionar”. No Brasil, situações assim não possuem tanta divulgação, apesar de cada vez mais comuns.

Régis comenta que pessoas tí­midas e depressivas encontram na internet uma aliada, um refúgio para trocar experiências em sites de relacionamento, como Orkut, com pessoas que sofrem do mesmo mal. “Isso é bom para elas. Sabem que assim não estão sozinhas”, ressalta. Mas essa válvula de escape pode se transformar não só em um ví­cio como em um meio de tornar a depressão e a timidez ainda mais acentuadas. “O indiví­duo não aprende a lidar com suas dificuldades e a estabelecer uma vida social”, completa.

Alguns desses casos se mostram ainda mais preocupantes. Certas pessoas buscam manter relacionamentos via internet com maior freqüência e intimidade do que contatos pessoais no trabalho e na escola. E mesmo os ví­nculos na rede não costumam sair desse meio. “Por mais que os amigos virtuais residam na mesma cidade, raramente vão agendar uma reunião ou encontro presencial”, afirma Régis.

O público mais afetado pela dependência do computador são os jovens. Diferente de quem trabalha em escritórios e que também passa horas em frente ao computador, os adolescentes têm a máquina como forma de entretenimento. As variedades de sites, comunidades e ví­deos se tornam atrativo para os jovens, assim como a possibilidade de estabelecer contatos com pessoas do mundo todo.

Mas o psicólogo esclarece que o mundo virtual não é o grande vilão dessa história. O principal culpado é o próprio usuário que passa horas em frente ao computador e não procura levar uma vida regrada, em que modere o tempo de acesso à rede e mantenha uma vida social no mundo offline. Isso é mais comum, no caso dos adolescentes, quando os pais não possuem o hábito de supervisionar os filhos para evitar que fiquem tanto tempo em frente ao computador. “Basta utilizar esse ótimo instrumento de comunicação a seu favor, de forma saudável”, afirma Régis.

Assim como a fisioterapeuta Isabela Álvares dos Santos, todos os especialistas recomendam um número considerável de pausas durante o tempo de uso do computador, para que o organismo relaxe e assim possam se evitar problemas.

Fonte: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/jornal/?p=3905

 

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