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Crianças “reféns” da internet

Crianças “reféns” da internet

Autor: Raquel Ferreira
Jornal Gazeta Digital, Publicada em 2010-07-16 | Cuiabá/MT,

As crianças brasileiras navegam na internet, em média, 18,3 horas por semana, totalizando 78,4 horas mensais. O tempo cresceu 10% em relação a 2009. O índice do Brasil é apontado como o mais alto, conforme a pesquisa Norton Online Family Report feita com internautas pais e filhos de 14 países pela Symantec. O tempo dispensado ao computador deve aumentar nesse período de férias escolares e os pais devem ficar atentos e colocar limites.

A psicóloga Daniela Freire, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenadora do grupo de Psicologia da Infância, explica que os exageros podem oferecer alguns riscos, como o sedentarismo pela falta de exercícios físicos e a falta de socialização real, uma vez que a internet é uma forma de socializar de forma virtual. Porém, ela entende que o computador é apenas o elemento atrativo do momento, assim como a tevê foi no passado.

A especialista diz que a internet é um espaço desconhecido pelos pais e não pelos jovens. A invasão da rede na vida moderna faz com que crianças e adolescentes queiram imprimir a sua marca de forma global, acessando sites de relacionamentos, bate-papo e MSN.

Para Daniela, o interesse pela internet é normal e pode se tornar um problema a partir do momento que a criança e o adolescente deixam de estabelecer outras relações e ficam fixadas somente no computador. “Quando existe uma variabilidade de cenários de interação não tem problema, isso mostra que a criança gosta da internet, mas também faz outras atividades”.

A dedicação intensa à rede pode sinalizar alguns pontos que merecem atenção dos pais. Ao mesmo tempo que o uso pode ocorrer para se isolar na pré-adolescência e adolescência (o que é normal), o internauta mirim pode ainda estar camuflando alguma dificuldade.

Outro ponto destacado é a autorrevelação da criança. Às vezes, o excesso de computador representa apenas um prazer intenso e o internauta não consegue estabelecer limites. Nesses casos, os pais também devem ter participação e passar a questionar o filho sobre a quantidade de tempo perdido diante do computador. “É importante estimular a criança a se autocriticar”.

Questionar se a criança já se alimentou, quanto tempo está navegando, se escovou os dentes, entre outros elementos da rotina, é uma maneira de colocá-la para pensar no assunto. Aos pais cabe ainda a missão de colocar limites nos filhos e orientá-los. “As regras já existem na vida presencial e precisam ser transferidas para o contato online”, entende o psicólogo Márcio Regis. Ele comenta ainda que da mesma forma que os pais se interessam pelas atividades e contatos reais dos filhos, é importante saber com quem eles conversam, mas sem invadir o espaço e privacidade.

Fonte: www.gazetadigital.com.br

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