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Amizade Incondicional

Amizade Incondicional

Ela é um exemplo, uma heroína e a melhor amiga que você poderia encontrar

Reportagem Larissa Drumond i
Portal IG JOVEM | SP/SP, 04.06.2009
Ela a carregou no ventre durante nove meses, assistiu ao seu primeiro choro com aperto no coração, vibrou quando acompanhou seu primeiro passo e escutou o primeiro ‘mamãe’ dos muitos que ainda escutaria ao longo da vida. Somente ela consegue compreender o que você quer com apenas um olhar e faz o impossível para arrancar um sorriso de seu rosto.

Sem hesitar, Priscila Santos, 16, afirma que sua mãe, Marlene Nascimento, 42, é praticamente sua irmã mais velha, com quem pode conversar abertamente sobre sexo, roupas, amizades, namorados e compartilhar as neuras. “Ela já teve a minha idade e passou por diversas coisas, por isso, sabe como falar comigo e me entende como ninguém”.

É inevitável que o medo de uma possível repreensão dê um friozinho na barriga; mas, nesses casos, a garota respira fundo, cria coragem e chama a mãe para uma conversa franca. “Às vezes, o que eu procuro é mesmo ser repreendida e receber uma palavra mais rígida. Quando perdi a virgindade, não sabia a melhor forma de contar; ela percebeu que eu estava agindo de maneira estranha e perguntou o que estava acontecendo”, desabafa. “Ter sido sincera com ela me fez muito bem”, completa.

Márcio Roberto Régis, especialista em Psicologia Clínica Comportamental e editor-chefe do Portal Atlaspsico, explica que a importância de uma boa relação entre mãe e filha é o vínculo da confiança e da cumplicidade iniciada e instalada previamente na infância. “Se não houve atenção às necessidades básicas da criança, dificilmente haverá harmonia e confiança na adolescência. A participação desde a infância se estenderá e beneficiará a construção da autoestima e da própria identidade”.

Ingrid Fernandes, 12, só tem a aproveitar da relação de confiança estabelecida com sua mãe, que sempre lhe ensinou como agir para ser uma pessoa melhor e mais feliz. Por esses e outros motivos, ela é a pessoa que mais merece sua admiração. “Algumas meninas não confiam em suas mães com medo de julgamentos; mas, por mais que briguem, elas só querem o nosso bem”. Quando deu o primeiro beijo, logo recorreu ao seu exemplo de vida para contar a novidade. “Não costumo comentar intimidades com minhas amigas e sei que para ela posso contar, porque não há riscos da notícia se espalhar”. 

Aos quatro anos, o pai de Priscila foi embora e a alagoense de Maceió só o via quando viajava para sua terra natal. Hoje, mora na cidade de Carpina, em Pernambuco, e confessa que é contente por ter uma família tão harmoniosa. “Todos os dias, peço a Deus para ser guerreira como minha mãe, que criou duas filhas sozinha quando meu pai simplesmente partiu”.

As garotas sempre aprenderam e assimilaram que as atitudes daquela que as pôs no mundo são corretas; por conta disso, insistem em imitar o comportamento e cometer os mesmos acertos e erros emocionais. “Para uma filha, a mãe é o referencial da mulher perfeita, portanto, tendem a se relacionar com o sexo oposto da mesma forma que a mãe se relaciona com o pai”, assegura o psicólogo Márcio Roberto.

Ter a heroína da família como melhor amiga é muito saudável, mas a filha deve ter sua vida social e sua privacidade preservada, caso não se sinta à vontade ou preparada para compartilhar algum assunto. Mas, pelo jeito, isso não representa nenhum problema para Ingrid. “Amo minha mãe de uma maneira inexplicável e tudo que tenho devo e agradeço a ela”.

Fonte: http://jovem.ig.com.br/igirl/quenteenhas/2009/06/04/mae+6537947.html
Entrevista publicada originalmente no dia 04 junho 2009.

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