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Abraço inesperado, bem-estar previsto

Abraço inesperado, bem-estar previsto

Reportagem: Felipe Nascimento | Editor: | 14/06/2010

Um dia repleto de abraços inesperados entre várias pessoas na rua. Se fosse qualquer data do calendário, seria um fato um tanto quanto incomum. Mas no Free Hugs Day (Dia dos Abraços Grátis), não foi. O evento é um flashmob encontro entre pessoas para fazer algo inusitado – que ocorreu pela segunda vez em Curitiba no último sábado, 12 de junho. Cerca de 15 jovens se encontraram no bondinho da Rua XV de Novembro e caminharam até o prédio histórico da UFPR. Depois retornaram à Boca Maldita, carregando cartazes e distribuindo abraços às pessoas que o aceitaram.

Um dia repleto de abraços inesperados entre várias pessoas na rua. Se fosse qualquer data do calendário, seria um fato um tanto quanto incomum. Mas no Free Hugs Day (Dia dos Abraços Grátis), não foi. O evento é um flashmob encontro entre pessoas para fazer algo inusitado – que ocorreu pela segunda vez em Curitiba no último sábado, 12 de junho. Cerca de 15 jovens se encontraram no bondinho da Rua XV de Novembro e caminharam até o prédio histórico da UFPR. Depois retornaram à Boca Maldita, carregando cartazes e distribuindo abraços às pessoas que o aceitaram.

“O propósito do evento é espalhar a ideia de solidariedade. A sociedade é muita apressada e não tem tempo para algo tão simples e bom como o abraço”, conta o estudante Leonardo Guedez da Martinez, que organizou o ato pela comunidade “Free Hugs” do Orkut. “As pessoas que recebem os abraços sentem-se bem, muitos nos agradecem”, acrescenta.

A guia de turismo Rosângela Barrozo foi uma das que aderiram a ideia, recebendo abraços individuais e coletivos. Ela diz que se espantou um pouco quando viu o grupo, mas que não se intimidou. “É muito gostoso o calor humano, difí­cil de se ter em Curitiba. Eu amei a ideia, tinha que ocorrer mais vezes”, afirma. Um dos objetivos do Free Hugs, de acordo com o participante do evento Carlos Eduardo Cavallieri Desiderio, também é desestigmatizar a cidade. “Alguns turistas que nos veem acham estranho ocorrer algo assim em Curitiba. O Free Hugs prova que o povo curitibano também é acolhedor”.

Sobre a coincidência da data do Free Hugs com a do Dia nos Namorados, Martinez alega que não foi intencional. “Era para ser dia oito, mas eu não tinha visto que cairia uma terça-feira”. Ele diz que na comunidade do Orkut as pessoas aprovaram, e a proposta é que o ato ocorra mais vezes. “A ideia é chamar mais gente e fazer o Free Hugs a cada dois ou três meses”, afirma.

Abraço inesperado

Durante o percurso, foram abraçados pedestres de diferentes idades e estilos, além de trabalhadores da região, policias e varredores de rua, como Valdevino Bandeira. “Me alegrou muito receber os abraços. Muitos têm nojo da gente. Ser abraçado durante o trabalho foi maravilhoso”, comemora.
A boa recepção das pessoas, entretanto, não é unanimidade. “Alguns têm receio, desconfiam que vamos fazer algum tipo de sacanagem, mas não tem nada de mais. Só estamos aqui para abraçar quem queira”, explica Desiderio.

A atitude hostil da minoria das pessoas acaba desestimulando quem gostaria de participar do ato, como no caso da operadora de caixa Jéssica Correia Nunes. “Tem muitas pessoas ignorantes. Eu não participo para não me irritar”, conta. Para quem adere, mesmo com o cansaço da caminhada e com o mau humor de alguns, o resultado é recompensador. “Aqui damos e recebemos carinho, somos solidários, é muito bom. Abraço não precisa ter hora e nem motivo para distribuir”, expõe Loriane Bordes, uma das participantes do Free-Hugs.

Do que um simples abraço é capaz

De acordo com o especialista em psicologia comportamental Márcio Roberto Régis, o abraço conforta, acalma e contribui para a diminuição do ní­vel de estresse, mas os efeitos são distintos e têm significados diferentes dependendo da relação entre as pessoas. “Ora pode ser um sentimento espontâneo de querer bem a outra pessoa, ora pode ser uma atitude inadequada, acompanhada de uma sensação de estranhamento de quem recebeu o abraço”, aponta. Régis ainda afirma que a estranheza causada por alguns revela que essas pessoas não estão preparadas ou não sabem como receber um simples abraço. “Para os tí­midos e carentes, tomar a iniciativa de dar ou pedir um abraço exige dos mesmos um ato de coragem, ousadia e receio de ser mal interpretado. Muitos possuem essa dificuldade, independe das suas habilidades comportamentais” aponta.

Para a especialista em psicologia clí­nica Ana Suy Sesarino esse ato de abraçar indistintamente é importante não só para o bem-estar das pessoas, mas também por ser algo diferente do usual. “Ações como essa fazem a pessoa sair da rotina, do modo automático que elas vivem e começar a pensar em outras coisas. São atos assim que fazem os indiví­duos pensarem de forma diferente”, afirma. No entanto, Ana acredita que o abraço forçado, sem que haja consentimento da outra parte, pode ser traumático. “Mas no caso do Free Hugs, em que o abraço é consentido, não há malefí­cio algum”, afirma.

Juan Mann, com sua ideia de Free Hugs.

De onde surgiu o Free Hugs?

No ano de 2004, um australiano chamado Juan Mann, residente em Londres, retornou ao seu paí­s natal, mas não havia ninguém para recebê-lo no aeroporto. Sentindo-se sozinho, enquanto todos no local eram recepcionados por seus conhecidos, Mann teve a ideia de sair em um cruzamento movimentado de Sydney exibindo um cartaz escrito “free hugs” (abraços grátis). Conta a história que a primeira pessoa que o abraçou sentiu-se emocionada dizendo que era tudo o que ela precisava no dia, pois era aniversário de um ano da morte de sua filha e seu cachorro havia morrido pela manhã. A história ganhou ví­deo, popularizou-se pela internet, e fez surgir por todo o mundo o Free Hugs Day.

Fonte: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/jornal/?p=8402

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